2 de abril de 2009

2 de Abril

Sempre que penso retrospectivamente nesta data, vejo-me a caminhar com a minha melhor roupa, bairro afora, a bater à porta dos meus amigos e vizinhos, a perguntar-lhes "se querem ir mais logo à minha festa" (que terá sandes de queijo ou fiambre e sumos e laranjada. Tenho sempre um pullover azul, tricotado à mão, sem mangas e não vou particularmente feliz, enquanto caminho pela terra batida.
Mas houve muitos outros. E alguns foram felizes.
O de hoje está a ser pacífico. Já vi o mar, as gaivotas e enchi o cabelo e os pés de areia. O que se pode desejar mais?

29 de março de 2009

FESTIVAL ALTERNATIVO DA CANÇÃO

Na verdade, fazia falta.
E o vencedor foi claramente o melhor. A frase "O povo quer dinheiro para comprar um carro novo", é lapidar. Sobretudo, se for um BMW Z3, que, na nova concepção de harmonia social da sociedade tuga é um direito mais do que adquirido.
E que, já agora, nem precisa de vir do esforço...



NADAR CONTRA A CORRENTE

Ontem e hoje foram batidos diversos recordes nos campeonatos nacionais de natação, a prova mais importante do calendário desta modalidade. Nada de especial, apenas houve pessoas a nadarem mais rápido do que todos os outros portugueses desde sempre.
Diogo Carvalho (Aveiro) e Alexandre Agostinho (Portimão) fizeram subir, de forma brilhante a fasquia.
Esteve lá a RTP a transmitir, ou pelo menos a gravar?
Estiveram vocês? Assim estiveram eles!
Calculo que o desafio de futebol de ontem e os jogos de bola de hoje tenham esgotado todos os recursos. De facto, como se poderia comparar um campeonato nacional de uma modalidade que produz atletas olímpicos com a jogatana entre o Sintrense e o Aldeia-do-Chao futebol clube? O futebol é prioritário, claro...
Sem comentários à vil tristeza.



26 de março de 2009

ENCONTROS

Hoje foi um dia muito feliz. Fui entrevistado por uma jornalista que respeita o código deontológico da profissão e gosta de ler (cada vez mais raro), almocei com o meu amigo Urbano e com a Ana, e fui falar com os miúdos do Colégio Moderno. Sobre este último item gostaria de repetir o que disse durante a palestra: nem sempre é verdade que não se deve voltar aos sítios onde fomos felizes. Às vezes, o carinho da recepção reconforta-nos a alma.
Além de feliz pelo dia, estou, sobretudo, grato.

24 de março de 2009

COMO RESOLVER UM DILEMA

Era muito cedo e estava a pensar se valeria a pena levantar-me já para escrever alguma coisa.
A campaínha toca furiosamente, resolvendo tudo:
"Vizinho: olhe que lhe estão a rebocar o carro!!!!!"

Deus existe. Embora estacione sobre ruas tortas, frequentemente...

17 de março de 2009

DE VISEU

...Melhor dizendo, do quarto do Hotel Avenida, que o cansaço acumulado dos meses de trabalho e da viagem de comboio não convidam a passear-me muito pela cidade. E, contudo, é a época em que as árvores começam a florir e os parques a ficar mais verdes.
Hoje o Cine-clube de Viseu passa O ADEUS À BRISA e vou estar para a discussão com o público. O interior organiza-se, como sempre fez, para criar eventos culturais. E ainda bem.

11 de março de 2009

SOBRE O TEMPO
Conheço poucas coisas mais chatas que ser velho antes do tempo.
Em todos os sentidos.
Mesmo no da sabedoria. De que nos serve reconhecer os esquemas de alpinismo dentro de uma organização se não nos apetece opor a eles, por exemplo?
É até penoso ter a perfeita consciência da efemeridade das coisas e da inevitabilidade do ocaso quando nos encontramos no meio de uma festa. Que deixa de ser a nossa, por isso mesmo.

5 de março de 2009

A MINHA VEZ DE DIZER "OBRIGADO"

a todos os leitores que insistem em me escrever, apenas para dizer que gostam do meu trabalho e que as coisas que imaginei em solidão acordaram outras neles e os fizeram sentir mais acompanhados.
Deste lado, dos que caminham sozinhos, também se agradecem as palavras amigas. Trust me.
TV OFF!

Nunca é de mais repetir: deixemos de ver os jornais televisivos. Os impressos vão de mal a pior, mas os telejornais esforçam-se mesmo por ganharem o prémio "Quem Deprime Mais". Hoje, por exemplo, arrancava um deles com os números do desemprego (provavelmente amplificados, para criar mais efeito), seguiam para entrevista a gente desesperada e concluíam em voz arrasada "will never make it".
Criam assim uma dependência das notícias más. Como se estivéssemos em guerra e saber o que faz o inimigo ser crucial.
Pessoalmente teria preferido ver casos de pessoas que deram a volta ao desemprego com boas ideias e trabalho. Desconfio que isso talvez fizesse menos audiência, mas de certeza seria mais útil.
A informação é manipulada para nos aterrorizar. Porque é do medo que nasce a atenção das pessoas. E desta, os lucros da publicidade, claro.

2 de março de 2009

O PAÍS COMENTADO

No meio de tanto trabalho, falta-me o tempo para comentar o país.
O que não é mau. O que não falta em Portugal é treinadores de bancada. Na política, no futebol na maneira de se nos comportarmos.
Pena que tente-se o que se tentar, perdemos sempre o jogo...
Por essas e por outras, prefiro continuar a trabalhar.

22 de fevereiro de 2009

OSCARS 2009

Espero que o de Melhor Actriz vá para a Kate Winslet. É extraordinário se olha para esta inglesa de cara redonda e se vê uma mulher alemã de traços duros. É a diferença entre ser uma grande actriz e o querer sê-lo, suponho.
RUNNING NOSE!

Depois de uma semana de desgraça, estou melhor. O vírus cansou-se, ao que parece.
Olhando-me ao espelho posso afirmar que estou em boa forma para interpretar o papel principal em "MÚMIA 3"... :)

20 de fevereiro de 2009

CASAMENTOS GAY

O desesespero é total. Entalados entre o politicamente correcto e o não quererem fazer figuras de trogloditas, os opositores só gaguejam "que não é normal", que não
é discriminar ninguém, é só "não lhe dar os mesmos direitos que a maioria das pessoas".
Os manhosos ainda tentam a manobra do referendo, porque sabem que no escuro das cabinas de voto, pode-se ser tão preconceituoso quanto se queira, sem que ninguém saiba.
Enfim, estas batalhas do domínio do simbólico são sempre acaloradas. Mas no fim, tal como os pretos puderam ir à escola, as mulheres votar e os comunistas manifestarem-se nas ruas, calculo que os homossexuais portugueses vão finalmente poder dizer: "Casar, eu? F...sss!"
GRIPE

Como não nos vendem (acho eu) antibióticos na farmácia, ainda por cima temos de estar com os olhos bem abertos na hora de pedir o analgésico/antipirético. A mesma substância pode custar 4 vezes mais, em função da marca. E se estivermos a tossir na hora da encomenda, ainda damos por nós a carregar um tubo de comprimidos de vitamina c que vai direitinho pela urina abaixo...
Raios partam os vírus, a única coisa que ainda se recebe de graça neste país!

18 de fevereiro de 2009

DOCUMENTÁRIO "ADEUS À BRISA"
Para quem não teve oportunidade de o ver no Doc Lisboa, em grande ecrã, pode agora fazê-lo, no próximo sábado, às 17 horas, no cinema S.Jorge, integrado no "PANORAMA".
Mais tarde, pelas 21.30h, será tempo para conversar sobre a produção documental, no mesmo cinema.

13 de fevereiro de 2009

ENCONTRO DE ESCRITA - PóVOA!

Hoje, um grupo de alunos (um grande grupo de alunos) recebeu muito bem 4 escritores. Estavam preparados e responderam com carinho às apresentacoes em português, galego e espanhol.
Foi uma surpresa muito agradável e um belo momento de partilha.
Deveria acontecer mais vezes.

12 de fevereiro de 2009

CORRENTES DE ESCRITA

Os encontros da Póvoa comemoram 10 anos. Uma década a convidar escritores e público local a encontrarem-se com eles e a participarem dos debates.
Um raro evento literário, verdadeiramente popular. Fazia falta que se criassem outros que conjugassem tão bem a simplicidade e a qualidade dos participantes.
Parabéns à organização.

9 de fevereiro de 2009


SOBRE FESTIVAIS DE CURTAS

Não é possível fazer um bom festival sem ver outros que de alguma forma toquem os mesmos géneros e que tenham uma boa dimensão. É o caso do festival de cinema de Clermont-Ferrand. Perdida no interior da França, geralmente com neve por esta altura, a cidade parece interessar pouco ou nada, aos franceses. E quem só ouve falar de Berlim ou Cannes, fica sempre surpreendido quando se refere que este é um dos maiores festivais de curta-metragem do mundo. Recebem mais de 6000 inscrições de filmes, têm um mercado que funcionam muito bem, com representações de diversos paíse e uma videoteca que permite ganhar tempo nos visionamentos e descobrir coisas que não encaixaram na programação. Os festivais portugueses que trabalham com curtas, estão, naturalmente todos presentes. E a maioria volta de lá com mais 200 possibilidades de escolha do que estava contar. Mais 200 filmes para discutir a hipótese de selecção. Uma trabalheira. Mas também se volta com mais conhecimento sobre a maneira de bem organizar um evento desta natureza, com novos contactos europeus e não só que abrem parcerias tão necessárias nestes tempos de recessão e por aí fora.
No meio disto tudo, quando sobra tempo, ainda se bebe um copo, prova-se a cozinha da região de Auvergne e convive-se com as gerações de portugueses que para ali partem desde os anos 60.
Os franceses podem continuar a ignorar Clermont, por mais uns tempos, enquanto isso, o progresso e a descoberta continuam a ser de quem lá vai.